quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Para uma Escola do Campo

Antes de tudo, o campo.
Pois, sem campo não há vida;
E para campo, reforma agrária.

E escolas,
Onde nossos filhos e filhas possam aprender o conhecimento.
Porque o conhecimento nos humaniza;
Porque é nosso direito;
E por isso, fechar escola é crime!

Em seguida, a autonomia.
Pois, nossas escolas serão públicas;
Porque dirigidas político e pedagogicamente pelo povo organizado:
Os trabalhadores e as trabalhadoras do campo.

Uma Escola do Povo;
Uma Escola do Campo;
Uma Escola do Trabalho;
Da classe trabalhadora camponesa!

Nessa escola não será o Capital o educador;
Nem o Estado seu pelego;
Nem os professores e as professoras, alienados cumpridores de programas “sem partido”,
Das habilidades e competências para o mercado;
Mas sujeitos políticos, intelectuais, livres!

Educadores e educadoras do futuro;
Formadores e formadoras do homem e da mulher do futuro;
Esses, também, políticos, intelectuais e livres!
Construtores e construtoras dos construtores e das construtoras do futuro;
Do campo do futuro;
Da sociedade do futuro.

Para tanto,
Não mais formação cognitiva, unilateral para o mercado;
Mas educação omnilateral, multidimensional para a vida.
Não mais educação individualista para a competição e a exploração do homem pelo homem;
Mas uma educação coletiva, socialista para a solidariedade entre todos os seres.
Não mais formação de capital humano, reprodutora, produtora de mais valia;
Mas uma educação politécnica, da teoria e da prática, da práxis, do trabalho criativo.
Não mais uma educação apartada da vida, da realidade. Educação neutra, sem cheiro, sem sentido;
Mas uma educação contextualizada; interessada pela vida; comprometida com a transformação da realidade.

Essa escola não existe;
Estamos nós a inventá-la!

E para isso é preciso lutar,
Ocupar
E transformar a Escola Capitalista.
E Construir a Escola do Campo!

O Presente

Seria uma única vez,
No máximo duas.
Por puro descuido,
Deixamos que se misturassem as peles.
Porque era bom.
Até perdermos as contas...

E quando nos demos conta,
Mais um dia amanhecia,
A misturar nossa história,
A nos encher de alegria.

E na sua companhia,
O futuro, outrora ausente,
Vai tecendo cada dia,
Em que você é meu presente!

domingo, 6 de agosto de 2017

Por Falar em Golpe

Ouvi dizer que, por esses dias, houve um golpe.
Mais um golpe! Tantos golpes...
Mais uma vez, golpearam a frágil democracia.
Covardia!
Tadinha, mal respirava, desfalecia...
Dizem que já nascera doente. Doença congênita.

Na verdade, ela só quer ser as pregas!
E nem é essas coisas toda...

Mas como se diz, do povo, a sabedoria:
Ruim com ela; pior sem ela.
E o golpe, é sempre mais embaixo!

Mais baixo, complexo, e profundo...
Dizem que vai às tripas!
Que é um câncer no oco do mundo.

Por isso,
Entre a democracia burguesa
E a ditadura burguesa;
Prefiro a revolução do proletariado!

“Trabalhadores e trabalhadoras de todo o mundo, uni-vos!”


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Lua Cheia!

De namorar gostoso à beira mar...

As mãos, pelas dunas e falésias a passear
O vento, a gemer sussurrando indecente
Enquanto rasga o céu um astro cadente
Solver sua maresia até embriagar.

Sentir a água morninha dizendo que é hora
Enfiar-se mar a dentro, sem rumo, sem mora
Entregue ao vai e vem revolto.

Até que a lua mergulhe no horizonte
E o primeiro raio de sol desponte
A revelar que, embora a lua se esconda,
A maré, sob sua regência, avança
Seguindo o dia naquela mesma onda.

Lambendo a praia, misturando as peles...

E ao pôr-do-sol ver reluzir nos pelos
O colorido do crepúsculo em despedida
E ela soberana ressurgida
A variar, assim, nas suas fases
Mais uma noite de amor repita.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Dedicatória

Aos seres humanos, homens e mulheres, que comigo compartilham a necessidade de trabalhar para sobreviver;

Aos trabalhadores e trabalhadoras, que nem eu, que percebem que a cidade, o pão, a cachaça, o livro, a música, o veneno, a internet, a bala… são frutos do trabalho humano;

E se descobrem, ao mesmo tempo, livres construtores do mundo; historicamente aprisionados e explorados, por relações desiguais, desumanas;

Aos que, ao se perceberem explorados, reconhecem-se uns nos outros, como classe trabalhadora. E compreendem que somente nós, que aqui estamos, podemos revolucionar essa ordem que nos desumaniza.

terça-feira, 22 de março de 2016

Você

Você que espalha desejos em meu corpo;
Você que me deixa louco de prazer.
Que ocupa cada canto de minha mente;
E, sempre presente, segue comigo
Do amanhecer ao amanhecer...
Você que enche a minha vida de alegria;
Que enche o meu peito de emoção;
Que renova minha esperança todo dia;
Você que conquistou meu coração...
Você, é meu amor! Minha paixão!

quinta-feira, 17 de março de 2016

A revolução das galinhas!

Uma lição importante todas as galinhas precisam aprender: galinha é galinha; e raposa é raposa!
Qualquer parceria com as raposas, mesmo visando os interesses das galinhas é mera ilusão. Porque o interesse fundamental das raposas é sempre comer as galinhas!
Que possamos aprender a lição: galinhas de todo mundo, uni-vos!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O dinheiro

Existem coisas na vida que não se faz por dinheiro;
Outras que fazemos até de graça;
Algumas que só dá para fazer pagando;
E aquelas que não há dinheiro no mundo que pague!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Educação do Campo e Luta de Classe

O capital diz latifúndio;
Dizemos Reforma Agrária.
Somente com agroecologia venceremos o agronegócio.
Suas sementes transgênicas não germinarão
E a vida brotará de nossas crioulas,
Produzindo alimentos saudáveis.
As cercas não tomarão nossas terras
E a Terra se revigorará em abundância,
Livre de venenos.

O capital diz Educação Empresarial;
Dizemos Educação do Campo.
Não será o mercado nosso pedagogo;
Não compraremos educação aos quilos nos shoppings.
Nossas escolas, o algoz não fechará.
Porque nem portas, nem muros, nem mortos!
Não mais corpos-engrenagens para as máquinas da ganância.
Porque em nossas escolas, forjaremos homens e mulheres;
Lutadores e lutadoras;
Construtores e construtoras do futuro!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

In memória

Cada um de nós é guardião da memória de nossos ancestrais.
Material e espiritualmente,
Eles seguem vivos em nós e em nossos descendentes.
Deles herdamos a matéria física, biológica, de que somos feitos;
E os sentidos que deram às suas vidas e ao mundo, marcam as nossas vidas, o nosso mundo.
Assim, continuam existindo em nossos corpos, em nossas mentes, em nosso mundo.

A memória dos ancestrais anima,
É alma, é vida, é reencontro...

E reencontrar quem amamos, só pode ser motivo de alegria.

Até quando?

Até quando dobraremos sob a exploração?
Até quando rodaremos as engrenagens da opressão?
Se a própria terra já não suporta a cerca;
Se a seca não tem mais estação...
Se não mais as matas;
Se a tudo se mata...
Se a fome ainda sobra sob o lucro do patrão;
Se as crianças já não são o futuro da nação.
Até quando?
Até quando aceitaremos o mercado da educação?
Até quando nossa escola será só reprodução?
Até quando Sim?...

Basta!

De agora em diante: Não!

Pretinha

Pretinha sumiu...
Alguém viu?
Dizem que anda correndo descalça pela mata virgem;
Comendo fruta madura do pé;
Banhando nua nos rios e igarapés...
Vontade de ser mata virgem;
Vontade de ser pé de fruta;
Vontade de ser rio ou igarapé...

Vontade de Pretinha.

domingo, 21 de junho de 2015

Que seja infinito enquanto dure

A história, às vezes, é dura. Mas é o que temos de mais verdadeiro e real. Entre a profecia escatológica cristã, "até que a morte os separe", e o relativismo histórico do poeta, "que seja infinito enquanto dure", fico com a poesia.

domingo, 29 de março de 2015

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Olinda

Gosto de Olinda, porque é cheia de graça
Uma alegria em cada rua, em cada praça
Seu relevo e suas curvas são uma beleza à parte
Olinda é tradição; é arte.
Lembra-nos um tempo que já passou
Olinda é aonde vou...

“Olinda, quero cantar
A ti, esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar, minha Olinda sem igual
Salve o teu carnaval”

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Ao poeta andarilho

Que a poesia nos possibilite, livres, criar
Que nossa loucura não nos impeça de amar
E Que a morte nos abra novos caminhos a andarilhar...
Somos todos poetas;
Somos todos loucos;
Somos todos andarilhos;
Somos todos Mário Gomes!

 Ao poeta andarilho Mário Gomes, que partiu com o ano 2014.

Pensando, pensando...quem sabe continuo existindo

Vivemos dias difíceis... E esse momento exige, de cada um de nós, um esforço reflexivo de análise política, limitados pelas ferramentas que cada um dispõe; mas qualquer coisa além da pobre dieta sectária disponibilizada nos menus globais.
Estou aqui, então, nesse exercício com meus botões: pensando e repensando, jogando ideia fora...
Compartilho a opinião de que quanto pior, pior mesmo!
E, considerando os três períodos recentes da história política brasileira, dos quais fui contemporâneo – a ditadura militar, o período neoliberal do PSDB e o chamado neo desenvolvimentismo do PT – não concordo que não existam diferenças. É impossível olhar esses três momentos históricos e não identificar importantes conquistas e avanços.
Importantes, mas não suficientes. Insuficientes, mas não sem importância.
Por outro lado, compreendo que quem quer que vá assumir o poder político na atual conjuntura, por mais revolucionário e comprometido que seja, com a classe trabalhadora, não passará de um gerente do Estado capitalista. Portanto, é apenas mais do mesmo velho e ruim capitalismo... Mais, tanto no sentido da continuidade, da reprodução do capital; como, também, de sua intensificação.
Continuamos sob a ordem capitalista, racista, machista, homofóbica... Nesse sentido, olhando para a realidade, seguimos gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. E o pior é que não existe futuro no capitalismo; nem para os capitalistas.
Contudo, repito: embora sendo mais do mesmo, esses momentos históricos e os grupos políticos que gerenciam o Estado em cada momento, não são iguais. E como a história não é uma mera repetição, movendo-se nos limites das contradições, há muito por avançar ou retroceder, na perspectiva da classe trabalhadora, dentro da ordem.
Penso, ainda, que as principais batalhas necessárias à transformação social, tanto as que se dão dentro da ordem, quanto as que tencionam sua ruptura, ocorrem, sobretudo, noutros campos, para além da via eleitoral. Mas a conjuntura política, incluindo as correlações de forças estabelecidas na composição do poder político, interfere nas possibilidades das lutas sociais.
Portanto, se não podemos superestimar a importância da disputa eleitoral pela gerência do poder político do Estado capitalista e esperar que no voto possamos mudar a ordem social, não convém menosprezá-la.
Sempre temos escolhas a fazer, incluindo não votar. E qualquer decisão, inclusive a negação do voto, tem suas implicações.
Nesse assunto, tenho sido pragmático: dentre as alternativas, inclusive o voto nulo, qual o cenário mais adequado para potencializar forças e avançar na organização e nas lutas da classe trabalhadora, numa perspectiva de superação da ordem capitalista?
Mais fácil perguntar que responder.
Contudo, venho remoendo umas ideias:
Elegemos um Congresso mais conservador e reacionário que o atual;
O resultado do primeiro turno e o rumo da campanha do segundo turno aponta para um possível resultado eleitoral com uma pequena vantagem de votos do candidato ou candidata eleita;
A campanha pela reeleição de Dilma tem mobilizado diversas organizações, movimentos sociais e lideranças políticas do campo democrático e popular. Parte por acreditar, sinceramente, que essa é a melhor alternativa para a classe trabalhadora; outros, por motivos menos nobres.
A eleição de Dilma, no segundo turno, exige a captação de votos principalmente entre os eleitores da Marina, onde se encontram os votos mais conservadores. Será possível conquistar esses votos sem retroceder e rebaixar ainda mais o seu Programa político?
Suspeito que, caso Dilma seja eleita, com uma pequena vantagem de votos; com um Programa político rebaixado; com um Congresso mais reacionário; com a oposição mais fortalecida e organizada; com lideranças e organizações sociais implicadas com o poder político; teremos uma conjuntura cuja gestão do Estado capitalista terá, ainda mais, reduzidas as perspectivas de conquistas da classe trabalhadora, que no período anterior.
E se, nessa conjuntura política, Aécio Neves for eleito?
Alguma dúvida quanto a retrocessos? Da minha parte, nenhuma.
Se essa leitura estiver correta... Lascou!
Qualquer resultado dessas eleições aponta uma composição do poder político cuja correlação de forças na gestão do Estado capitalista reduz, ainda mais, as parcas possibilidades de avanços na perspectiva da classe trabalhadora.
Qualquer que seja o resultado, damos um passo atrás.
Então, meu pragmatismo eleitoral interroga: qual desses passos atrás nos permite tomar impulso para saltar à frente?
Será a hora de arrancar as penas e quebrar o bico?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Silêncios

Silêncio não é ausência de palavras;
Silêncio é palavra facultada ao mundo.
E palavras, nunca são só palavras...
Silenciar, para ouvir o mundo:
O mundo de fora;
O mundo de dentro.
Silêncios criativos, prenhes de palavras.
Poiésis transformadoras da vida,
Construtoras de mundos.
“E o verbo se fez carne e habitou no meio de nós...”

Diferenças

Por que rompemos a indiferença,
Se tantas diferenças nos afastam?
E se outras tantas diferenças nos enlaçam;
Por que, então, não fazemos diferente?
Se o encontro virtual é sempre mais carente;
Se a distância nos faz cada dia mais presentes;
Se a saudade é, agora, visita permanente...
Como continuar indiferente?
Façamos, então, diferente!

Com o tempo...

De repente, uma dolorosa ausência...
E uma intransigente recusa da realidade.
Depois, estranha presença;
Saudade profunda;
Doce lembrança;
...E só o passado, a abrigar o esquecimento.

De repente!

Não apagou a água do café
Não apanhou as roupas no varal
Não pegou a filha na escola
Não respondeu o email que era urgente
Não se despediu de nenhum parente
Não desmarcou o compromisso agendado
Não pagou as contas já vencidas
Não revelou suas senhas a quem confia
Não confessou seu amor à mulher querida
Simplesmente partiu...

Bem assim: de repente!

Simplesmente

Primeiro veio a dor de quem perdeu o que não tinha;
Dor de buraco vazio no peito;
Dor de oco.
Dor, que não se explica; apenas dói.
Depois, uma intuição de que, na verdade, ter é mera ilusão...
E o consolo de quem não pode perder o que não tem.
E se não se perde; não cabe doer.
Por fim, encarei a falta e percebi que tudo o que não tinha continuava lá;
E que tem coisas, que por mais que não se tenha,
Simplesmente, não se perdem...
Simplesmente, assim!

O problema de Ayla

Com tanto problema, como fazer um poema?
Ora, se na vida só tem problemas; nos resta, então, fazer um poema.
Até porque problema rima com poema
O problema são os r, b, l...
Mas não tem problema, mesmo assim a gente faz um p(r)o(b)(l)ema!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Chuvinha fina da madrugada

Essa chuvinha fina, descendo de bicicleta,
Repare bem no chuvisco.
Sem pressa, devagarzinho...
Mesmo assim, a si molhou.

E essas rimas, nem é prosa minha;
Pois foi, linha por linha, ela mesma quem contou.
Deixou tudo escrevinhado no tilintar do telhado;
No meu corpo arrepiado;
No cheiro que a terra exalou.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Tempo de crises

Quando o mais valor não se vê realizado;
E se o explorador elimina o explorado;
E o velho poder se encontra abalado;
O que não convém dizer, já não quer ficar calado;
E o que tinha tudo pra dar certo, dá errado;
E o balde que tanto se cuidou, cai chutado...
É tempo de crises.

Quando o que se sente, já não se sabe o sentido;
E a velha explicação não é mais o veredicto;
E o insignificante apêndice explode aos gritos;
E a zona de conforto vira zona de conflitos...
Quando já deu!
E o mais casto puritano diz: fodeu!
É tempo de crises.

E Crise é bucho!
Gravidez existencial,
Prenha de possibilidades.

Tempo de crises não é tempo de parar;
Tempo de crises é tempo de parir!

terça-feira, 15 de abril de 2014

Discursos

A realidade é muito mais que os discursos que dela dizem.
Mas, de tanto ouvir, acabamos tomando-a pelos discursos.
Por outro lado, embora não sendo a realidade, os discursos a compõem,
Revelando-a, ocultando-a, orientando as ações que a conservam ou a transformam.
Portanto, importa fazer e importa dizer.

Mas, quem foi que disse?
Não podemos continuar ditos apenas pelos outros.
É urgente que, de nós, digamos nós mesmos!

domingo, 13 de abril de 2014

Pegadas na areia

Pés
Pegadas
Pegadas na areia...

Pés
Pegadas
Pegadas na areia;

Tchuaaa!!!!
O mar levou...

Pés
Pegadas
Pegadas na areia...

quinta-feira, 20 de março de 2014

O Menino

Era uma vez um menino...

O menino não tinha nome.
Tinha poucos brinquedos,
Muitos irmãos
E uma mãe.
Pai, ele tinha só um pouco.

A casa do menino era pequena;
Mas a família era grande.
Grande também era a fome;
Mas a comida era pouca.

O menino passava mais tempo na rua.
Brincava muito.
Se danava mesmo.
E brigava, de porrada!
- Quando crescer, quero ser policial! Ter uma casa, uma família e ajudar minha mãe...
Dizia o menino.

Os brinquedos do menino eram poucos;
A casa do menino era pequena;
A família do menino era grande;
A comida do menino era pouca;
A fome do menino era grande;
Os sonhos do menino eram muitos!
O menino era feliz!

Às vezes, a mãe do menino batia nele...
Tinha vez que merecia mesmo;
Mas tinha vez que não.
- Dava uma raiva danada!

Todo dia o menino ia pra escola.
Gostava da escola;
Mas não gostava de estudar, não.
Gostava mesmo era da merenda;
Da galera;
E das gatas.

O menino estava crescendo;
Mas não sabia ler nem escrever, ainda...
De vez em quando passava de ano;
Mas aprendia só um pouco.
Gostava de copiar; mas só de h.

O menino era bom de bola.
Se garantia!
“O que eu queria mesmo era ser jogador de futebol. Jogador, ou policial...”
Pensava o menino.

O tempo tava passando;
Mas o menino nem ligava.
Não tava nem aí;
Curtia mesmo!
Saía com a galera,
Pegava umas gatas,
Batia um racha...

De vez em quando rolava umas frias;
Quando algum chegado fazia a fé.
Fumava e cheirava também, mas só às vezes,
Pra curtir.
- A hora que quiser parar eu paro, ta ligado?!
Dizia o menino.

O menino cresceu;
Nem se tocou...
Só que agora a polícia vivia dando baculeijo.
De vez em quando, a mãe do menino chamava ele de vagabundo.
- É a maior onda prá soltar o real...

O menino não tinha profissão;
Não sabia ler, nem escrever (só um pouco);
Não sabia onde procurar emprego;
Não tinha os documentos;
E, muitas vezes, nem tinha dinheiro pra passagem.
- Ficar só pedindo à coroa é foda!

Às vezes aparecia serviço de servente...
“Se, pelo menos, fosse de porteiro ou vigia...
Trabalho de peão é dureza.
Ta certo que o importante é ganhar honestamente;
Mas, servente é a maior sujeira; dá pra mim não.”
Pensava o menino.

- Futuro?
- Não gosto de pensar nisso não;
- O futuro a Deus pertence.
- O que importa é o presente.
- Tenho futuro não...

Dizia o menino...

domingo, 16 de março de 2014

Poesia Divina

Curta como a vida bem vivida, de um só fôlego.
Intensa como o breu da noite escura.
De luta! De lua...
Poesia em curvas
A perambular os caminhos andarilhos
Da criadora,
Da criatura.
Poesia magia, negra...
Ousadia criativa que nos põe a tecer o não dito.
Generosa partilha de desejos incontidos,
Que, por não caber-se, se espalham pelo leitor,
Corpo a dentro...
Poesia de diva
Da vida
Divina!

sábado, 15 de março de 2014

Pimentas!

Adoro pimentas!
E cachaça
E café quente
E paixões...
E tantas outras coisas que fazem bem ao coração.

Primeiro, vem um cheiro que entra pelo nariz e nos invade corpo a dentro...
A pele em pêlos.
Depois nos queima a boca
Beijo quente
Que adormece a língua.
E desce aquecendo o peito
Ardendo a alma....

Adoro pimentas!
E tantas outras coisas que fazem arder à alma.



sexta-feira, 14 de março de 2014

Distâncias

Longe ou perto?
Quem sabe ao certo?
Espaço? Tempo?... Movimento!

Distâncias são caminhos percorridos;
Estradas que há por vir;
Pontes e abismos;
Coisas de momento;
Tempo sem fim.

Um tempo de anteontem;
Um depois de amanhã.
Pensamento vago... Distante...
Um vento que sopra tão.

Lá onde o vento faz a curva...

E as curvas fazem o caminho mais distante.
Mas muitas vezes o caminho...
Ah, o caminho é o que importa.

O infinito fica logo ali:
Do outro lado da porta;
Ou além da cerca,
Até onde a vista se perca...

Sempre estamos longe;
Sempre estamos pertos.
Mas quem não sabe aonde vai;
Nem sabe se já chegou.
E quem nunca se perdeu;
Nunca se achou.

Às vezes, ao seu lado;
Tão distante... Desligado.

Distâncias são ausências de liga, de atalhos.
Mas aqui se chega num instante!
Quer saber?
É só clicar no link:

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Véspera da Batalha


A véspera da batalha é um dia de festa.
Não porque a vitória seja certa,
Embora necessária;
Mas para celebrar a vida, único sentido da luta.
E porque cantando e dançando
Preparamos nossas armas.
E porque
Se a batalha for perdida
Não haverá mais tempo para alegria;
E se for vitoriosa
Não haveremos de cantar a morte do inimigo,
Porque em nosso canto só cabe a vida.
Por isso,
Dancemos e cantemos
Porque hoje é a véspera da batalha.

Lua Vazia


A lua cheia saiu vazia que nem eu.
Não tinha São Jorge;
Não tinha cavalo;
Não tinha dragão;
Não tinha nada...
Só a falta, enchendo o oco da lua.

Vai ver nem lua cheia era;
Nem noite de lua;
Nem noite;
Nem lua.

Só a porra da falta a encher o meu oco de nada...

Pois que me venha essa noite sem lua;
E ponha fim em mais um dia cinzento;
Escurecendo mais uma noite em claro;
A redimir a dor desse momento.

Queria essa lua toda minha;
A iluminar e aquecer a noite fria;
Até raiar o lindo sol que um dia;
A colorir e encantar a vida;
Brilhou intenso por um vil instante;
Como se fosse eterna alegria.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Desnorte

Não me perguntem...
Não me pergunto.
Pois já não digo com palavras.
Porque quando falo, minto;
E quando minto, nego;
E quando nego, calo...
E em meu silêncio
Já não sigo caminhos,
Já não faço meus caminhos,
Descaminho, a esmo...

Sem rota e sem rastros
Sigo para qualquer parte,
Dando voltas em meus próprios passos,
Tropeçando em minhas próprias pernas.
Sem metas, nem cartas
Vou atento às setas, às placas;
Para delas desviar-me.
Alimentando-me de palavras
Vou conjugando cada verbo à sorte.
Buscando no caos sua ordem;
Na morte, o cume da vida;
Na vida, a razão da morte.

Desdizendo o que disse:
Desfazendo caminhos,
Construindo novas trilhas,
Vou seguindo velhos mapas...

Feridas

Ferida que dói
É carne que está viva.
Sente,
Reclama,
Quer vida.

A ausência da dor é a morte;
Esperança é virtude do forte;
A última dor é a porta da alegria.

Da boca pra fora

Da boca pra fora eu digo o que quero
Não tenho problemas, sou muito feliz
Recito palavras doces aos teus ouvidos
Eu sou teu espelho, tu és minha atriz

Profiro palavras ferinas, malvadas
Tu és minha amada, és tudo que quis
Respostas seguras, projetos, conceitos
Sou quase perfeito, da boca pra fora

Da boca pra fora tudo é relativo
Não finjo, não minto, sou dono de mim
O amor que eu sinto ou não sinto em meu peito
Digo-te agora, da boca pra fora
Ou não conto a ninguém

Não pense que escondo minha identidade
Veja o meu retrato está em toda parte
Veja o meu nome é o mesmo seu

Se queres saber quem sou eu agora?
Digo-te sem medo, não tenho segredos:
Sou forte, sou belo, sou cheio de sorte
Sou cheio de vida, não temo a morte
Odeio a mentira, sou simples, seguro
Dou-te minha palavra...
Da boca pra fora.

Viva a Educação do Campo!

Educadores e educadoras do campo,
Preparemos as ferramentas para a lida.
O grito que nos chama é a vida,
Que reclama o direito de viver.
Na terra, no mar, nas matas,
Em todo canto onde houver luta,
Batalhemos a nossa labuta,
E escutemos, da luta, o saber.

Escutemos os gemidos que brotam da terra;
Escutemos os mares;
Escutemos as matas.
São gritos doídos de terra cercada,
De mares saqueados,
De matas tombadas.
São gritos daqueles feridos na luta,
Gemidos de fome, de morte, de dor;
São sussurros de consolo;
São gemidos de amor;
São os gritos de um povo: Liberdade!

Educadores e educadoras do campo,
Sintamos o cheiro da terra molhada.
A hora é agora: a semente jaz plantada.
Mas como vingar numa terra aprisionada?
Derrubemos, pois, as cercas!
Libertemos esse chão!
E na terra de todos e todas;
Em toda a terra;
Em todos nós;
Cultivemos nossa semente: Libertação!

E no ofício camponês,
Fecundando uma nova terra,
Semeando um novo campo,
Não ouviremos velhos gritos;
Entoaremos um novo canto:
Viva o novo homem e a nova mulher!
Viva a nova sociedade!
Viva o novo campo, a nova cidade!
Viva a Liberdade!
Viva a Educação do Campo!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Alucinações

Momentos tão saudosos
Que me assaltam em fragmentos,
Arrebatam minha alma
E deixam o corpo em tormento.
Subvertendo a história,
Rompem com a linha do tempo,
Como erva que alucina,
Aliena, desatina
E põe a prova
Os sentidos.
E te vejo
E te cheiro
E te beijo
E te sinto...
Eu juro: não minto!
Sou cético: é real!

Mas se a lucidez prevalece,
Ainda que por um segundo,
Mergulho em ti,
Vou profundo,
Nesse encontro virtual.

Ritual

E chegará o dia em que
Os deuses cobrarão
De nossas vidas, as paixões...
O cerimonial será
Efêmero para os mortos,
Mas sublime, aos que sofrem.
Nesse dia,
Teu cheiro exalará
Invadindo todo o meu templo;
Teu beijo despertará o espírito adormecido;
Tua mão tocará meu coração;
Teu corpo receberá minha oferta;
E seremos um...
E arderemos intensamente!
Porque
Teu cheiro é o incenso;
Teu corpo, o altar;
E tua boca...
A janela de minha alma!

Viva a arte!

Como falar do amor
Do amor que a gente sente
Não do que está na mente
Do nosso interlocutor?

Como fazer sentir a dor
Da ferida machucada
Se as palavras que profiro
Serão relativizadas?

Sentimento absoluto
Que está em toda parte
Corre a procura da arte
Não perde nenhum segundo
Corre a procura da arte
Ela é a expressão do mundo

Sonhos...

Aos cinco anos
Sonhei com castelos e carruagens
Aos quinze anos
Sonhei com a casa própria
E o carro popular
Aos vinte e cinco anos
Sonhei pagar o aluguel atrasado
E ter o dinheiro pra passagem do ônibus

Pôrra!
Parei de sonhar...

Cilada

Se o desejo que sinto agora
É ter-te sempre ao meu lado,
Se a boca me quer calado,
Colado ao beijo teu,
Se o meu pensamento se fez
Tua eterna morada;
O ósculo foi a cilada,
Que armamos para nós.

Fugir é ilusão, não há norte,
Apolo rendeu-se a Dionísio.
E onde quer que busque abrigo
Irás comigo, meu querido algoz.
Quedo-me, então, à minha própria sorte,
Pois certeza na vida, só a morte;
Tudo mais é pura especulação.

Se amanhã o ônus pago for a lamúria,
Será por ter rendido-me à fúria
Dessa impetuosa paixão.
Tristeza maior, pois, seria
Poupar-me dessa alegria
E viver chorando depois...

Os lábios que não senti,
De uma paixão não vivida.

Altas horas

É tarde...
As horas quase já não são mais desse dia
Aonde não chega o mercúrio ou néon
Somente o breu, a agonia.
Vultos sombrios vagam na noite
Crianças sombrias a esmo, drogadas.

Os velhos e mendigos já não esmolam
Dormem, nos cantos, nos bancos
Sem canto, jogados...

Nos bares há vida, comida, bebida ávida.
Os travestis estão nas esquinas,
Os assaltantes, também
A morte os espreita mais de perto,
A mim também.

Incerto, mas certo,
Entorpe o dia amanhece...

Amém!

Às vésperas da morte

O que nos move?
Que força é essa capaz de
Mobilizar nosso presente em
Função de um pretenso e incerto futuro?
Homens de futuro...
Que criam, procriam e morrem...
Que crêem pregam e morrem...
Que sublimam, somatizam e morrem...
Que usurpam gananciosamente, acumulam e morrem...
Que amam, que matam e morrem...
Que comem, gozam e morrem...
Que famintos e castos, secam e morrem...
Que nascem, abortam e morrem...

Mas que acreditam no futuro
E consomem suas forças
Numa louca lida a que chamam vida.

Se o dia amanhecer

Quando o dia amanhecer
Vou abrir minhas janelas
E em meu barraco de favela
Deixarei o sol entrar...

Mas se janelas não houver
No quarto escuro e desolado
Pelas frestas do telhado
Deixarei o sol entrar...

E se for manhã de chuva?

Num barquinho de papel
Vagarei rumo ao oceano
Pelas lamas da sarjeta
Que se formam na biqueira
Da morbidez de meu quarto

Se o dia amanhecer

Desatino

Quando tua língua toca meu corpo inerte
Um turbilhão de sensações desencadeia
Interligadas como os nós de uma teia
Em cada ponto, uma diferente

A alma abandona o corpo ausente
Sem ordem, sem nexo, em desatino
Não sei se estou chorando ou sorrindo
Ao entregar-me ao natural deleite

E no vazio em que se encontra a mente
No limiar entre o real e o devaneio
A razão, doida, busca no teu seio
O seu prazer, único regente.

Travessia

Está lá o corpo inerte
No asfalto.
Sem riso,
Sem brilho,
De assalto.

Na pista quente
Um fio de sangue esfria.
A um segundo vivia,
Até a travessia...

Da vida, da via...

Quero tudo!

Quando o amanhã chegar,
Quero estar por inteiro.
Como a criança
E seu brinquedo
Como a vida
Como a morte.

Sem fronteiras,
Sem medos,
Sem certezas,
Sem futuro...

Quero tudo!
No claro e no escuro

Sentir todas as dores,
Todas as alegrias.
Embriagar-me do mundo,
Ir fundo!

Escrever poemas,
Dar flores,
Andar de mãos dadas,
Beijar na boca,
Fazer amor com cada parte do teu corpo,
Da tua alma.

Perder o juízo
Sem perder a calma.
Acertar
Com o que se erra.
Perder a vergonha
Sem perder a alma.
Ganhar o céu
Sem perder a terra!

Revoluções?

De que são feitas as revoluções?
De ideais?
De sonhos?
De Luta?
De gente.
De homens e mulheres e plantas
E negros e brancos e arco-íris...
Tão iguais
Tão diferentes.

Que sonham e temem
Que desejam e retrocedem
Que lutam e choram
Que se permitem
Que toleram.

Lutadoras e lutadores
Bem humanos, como a gente.
Que se dispõe a caminhar juntos,
Mãos dadas,
Passos lentos... Firmes!
Que aprendem juntos
Que ensinam juntos...
Uns aos outros.

Bem humanos, como a gente
Que não estão prontos nunca.
Mas que têm coragem de abraçar
E beijar
E amar
E rir
E chorar...

De morrer!
E de matar!

Disso são feitas as revoluções.

Cale a boca, professora!

Cale a boca, professora!
Meu ouvido não é penico.
Seu saber pra mim é lixo
E eu não tô nem me lixando
Se tô perdendo, ou ganhando...

Engulo tudo e vomito!

Metrópole

Brancos, amarelos,
Negros, roxos,
Altos e baixos;
Tortos.

Trânsito congestionado,
Céu congestionado,
Terra congestionada,
Nariz congestionado.

Todo mundo;
Do mundo todo.

Num único lugar;
Vários lugares,
Diversos.

Grandes caixões, enormes;
Pequenos caixotes, aos milhões,
Nos altos e baixos.

No asfalto,
No assalto,
Por todos os lados,
A vida borbulha.

Vidas que se misturam;
Mas só um pouco.

A luta pela terra

Ah, senhores que aprisionam nossas terras...

Não nos venham dizer quem somos;
Não venham ditar nossos sonhos,
Nem projetar nosso destino.
Já o sabem nossos meninos:
Somente com liberdade há vida.

E de nós, dizemos nós mesmos!

Os galos e as galinhas já cantam no terreiro;
O cheiro da manhã já se anuncia.
Se a cerca ainda avança;
Nossos passos já não param à porteira;
Nosso grito, a bala já não cala;
Nossos corpos, já não cabem mais nas celas;
E nossos braços não repousam cruzados à terra fria;
Porque não nos prestamos a isso!

Ah, senhores que aprisionam nossas terras...

Não assistiremos passivos
Transformarem nossos campos
Em venenosos pastos;
Não sucumbiremos à vossa gana capitalista;
Resistiremos;
Existiremos;
Construiremos outro campo!

Nessa marcha de homens e mulheres,
Combateremos até a vida.
(Em nossos horizontes não cabe a morte)
Porque nosso motor é a luta;
Nosso lugar é a Terra;
Nosso grito, liberdade!
E nosso sonho,
Uma nova sociedade!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Doces segredos

Olhar dissimulado,
Desejos guardados.
Doces segredos
Que as mãos espalham,
Lentamente, no corpo inteiro.
Segredos que ardem,
Desejos em brasa.
Incontidos,
Impulsivos.
Incabidos nos corpos,
Rompem os limites.
Gratuitamente,
Arrebatam as almas.

Corpos que pulsam,
Freneticamente.
Almas que vagueiam
Por vales desconhecidos.
Delírios ímpares.
Cheiros,
Sabores,
Calores,
Gemidos.

Por fim,
Quedo-me em teus braços.
Completamente rendido,
Abandono em ti meu corpo lasso.

Descobertas...

Que nossos passos nos conduzam cada dia a um novo lugar;
Que nossas línguas descubram um novo sabor a cada beijo;
Que nossos corpos não saciem seus desejos;
E que nosso amor alimente-se de todas as formas de amar.

Humanidades

Não nos contentaremos com as aparências
Não nos acostumaremos com o estranho
Não será a mediocridade nossa referência
Continuaremos a acreditar nos sonhos.

Rejeitaremos
A regra
A norma
A moda
A forma...

E nos indignaremos
E transgrediremos
E ousaremos
E criaremos
E seremos...

... mais humanos